24 janeiro 2010

Gosto de design, logo reconheço

 

Um designer, independente de sua especialidade ser voltada para a arquitetura, criação gráfica, interiores, paisagismo, artes plásticas ou qualquer outra possibilidade, precisa criar para alguém. A criação por criação é uma atividade de entretenimento. Em uma sociedade capitalista, um designer usa seu talento para convertê-lo m dinheiro, portanto, precisa ter um produto final aceito no mercado.
O mercado que demanda design no Brasil ainda não atingiu a temperatura máxima capaz de fazê-lo ferver. Desta maneira, apesar de termos condições, contando com pessoas e recursos, de atingir o nível de um design alemão, ainda não temos consumidores suficientes em quantidade e em qualificação. A falta de qualificação para ser público de design é notada na imaturidade do comportamento do brasileiro ao não reconhecer valor em designs ousados ou simples. Nos simples, inclusive, a dificuldade é ainda maior. É comum ouvir-se “isso eu também faço” ou “até eu faria isso”. A questão é que aquele designer fez e ao apresentar ao público se depara com arrogância ao invés de reconhecimento. A mentalidade ainda é restrita. Em relação ao design arrojado as opiniões costumam expressar-se com o adjetivo “esquisito”.
O Brasil é um país muito populoso e a maioria da população está preocupada primeiro em “ter” antes de se preocupar em “ter, com design como pré-requisito”. O contingente populacional das classes mais baixas não tem acesso financeiro ao design de maneira que sem o consumo freqüente não conseguem desenvolver uma cultura de consumo de design. Sem reconhecimento o design não tem valor algum, se torna uma loucura que desafia o senso comum criando novas imagens para velhos signos.
O contexto brasileiro, entretanto, não é tão desprezível assim como se fez parecer ser. Assim como há o grupo que não dá valor, há o grupo que valoriza sábia ou impulsivamente o design. O país conta com brasileiros muito talentosos para criar e para consumir. Talentosos para observar, transformar e absorver. Brasileiros antenados em atualidades, do grupo cult, do mid-cult, da geração y sedenta por inovação, pessoas colecionadas Brasil afora, concentradas nas regiões mais desenvolvidas do país, que gostam de design, estão se educando a exigir design e a valorizar criações alternativas para o tedioso comum.
Há os consumidores de design somente na informática, há os que consomem design em moda, há os que moram em apartamentos construídos em série e tem quadros abstratos no interior. Também há donas de casa clássicas, mas que ao ver uma frigideira verde-limão com flores se sente tentada em comprar. O consumo de design se dá em diferentes proporções na particularidade de cada um de maneira que quanto mais disseminado pelos distribuidores, com mais facilidade penetrará no cotidiano do brasileiro. Em um primeiro momento o design é associado ao luxo por ser escasso e caro, mas ao se tornar cada vez mais acessível, mais será valorizado até atingir seu auge. Se depois de atingido o auge, vier o declínio, será uma conseqüência que costuma acontecer em qualquer ciclo.

 

Por Maria Luiza Santoro

Disponível em http://designteatro.wordpress.com/

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