12 janeiro 2010

Ser designer no Brasil é lutar por uma causa.

 

Em uma entrevista cedida ao blog Moda Brasil + Design, a designer Eloíze Navalon, que é também coordenadora do curso de Design de Moda da UAM, falou um pouco sobre temas abordados em sua pesquisa “Design de Moda: Interconexão Metodológica”, onde discute peculiaridades da profissão de designer no Brasil. Em sua pesquisa Navalon faz um comparativo entre os desempenhos de designers que classifica como anônimos e autorais. Segundo a pesquisadora o designer anônimo é aquele profissional que trabalha para uma determinada marca e que, na grande maioria dos casos, não tem seu nome conhecido pelo público. Apesar de ser este o caso da maior parte dos designers brasileiros que, apesar de seus esforços, ainda não encontraram o reconhecimento de sua profissão, Navalon revela-se bastante otimista ao afirmar que este cenário está mudando. Ela define como designers autorais aqueles profissionais que apresentam seu trabalho através de uma marca própria, que pode até mesmo levar o nome deles. Na entrevista Navalon afirma que quis falar especificamente sobre o designer de moda, porém é possível afirmar que há uma situação bastante semelhante na realidade de designers que atuam em mídia impressa e também digital. Ela deixa claro um detalhe importante para que possamos compreender que, assim como em outros lugares do mundo, existe um mercado que busca uma “intenção de design” para uma linha de produção massificada. Este mercado é constituído por empresas que, em geral, encaram o design apenas como um “detalhezinho a mais” e que, talvez por isso, não invistam neste recurso ou aceitem pagar muito mais pelo trabalho do profissional que Navalon chama de “designer autoral”. Tais empresas preferem adotar a mencionada “intenção de design” solicitando a estagiários que sigam esta ou aquela tendência, em geral fórmulas já experimentadas no mercado e que caíram no gosto do público. Vale lembrar que, muitas vezes, estes estagiários são muito mais capacitados tecnicamente do que alguns dos profissionais que Navalon chamaria de “designers autorais”. É evidente que tanto o designer anônimo quanto o autoral enfrentam problemas semelhantes no que diz respeito ao desenvolvimento de um projeto. Ambos lidam com questões pertinentes a prazos, verbas, sistemas de produção utilizados pelos fornecedores e uma porção de outras variáveis. No entanto é preciso admitir que nem sempre o designer anônimo, apesar de receber uma remuneração bastante inferior a de um designer autoral, contenta-se em copiar fórmulas prontas e, dentro de suas possibilidades, empenha-se em desenvolver um trabalho em que reconheça seu talento. Para estes designers, mais do que para qualquer outro, exercer sua profissão no Brasil é lutar por uma causa.

 

Originalmente publicado em: http://designteatro.wordpress.com/

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