24 março 2011

4Fs: Investigando a forma

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4-Motivação

Poderia concentrar a temática deste texto em torno das leis da Gestalt, ou dos métodos de determinado autor, mas ao invés disso prefiro reorganizar informações (afinal, o designer é um organizador) e expressá-las de maneira simples (mesmo sabendo que o termo “simples” tem inúmeros significados).

Aqui cabe uma pergunta: Organizações (substituiremos este termo por “junções”, pois representa melhor o sentido desejado) ao acaso resultam em produtos objetivamente satisfatórios? A resposta pode situar-se no campo do “talvez”, mas comprovadamente existe a versão de que raramente as junções ao acaso geram resultados satisfatórios.

Poderia também escrever sobre a etimologia da palavra forma, mas apesar da importância que engloba o conhecimento da origem, a prática foi quem deu origem à teoria.

Então o que resta? Exemplos de ações possíveis, especificando para este caso, exemplos de ações direcionadas à análise da forma.

3-Preparação

Não existe um caminho perfeito a ser percorrido na aplicação de pesquisas ou testes, a adaptação (ou também mutação) é parte de um planejamento. Adaptação orientada por diversos aspectos, tais como personalidade do usuário, limitação de espaço, quantidade de usuários, limitação de tempo, etc.

Visualizam-se em diferentes empresas diferentes métodos de ação, adaptados ou não à suas estruturas. Um exemplo clássico é o conjunto de métodos para desenvolvimento de identidades visuais corporativas, que pode variar brutalmente entre as empresas.

O possível primeiro passo pode ser sintetizado em uma pergunta: A forma fala o mesmo idioma que o usuário?

2-Diferenciação

O ato de ver/sentir pela primeira vez. É o momento em que o usuário reconhece o produto, os instantes antes dele optar por selecioná-lo. Dentro de uma investigação (pesquisa, teste de opinião, etc.), nesta etapa pode ocorrer ou não a comprovação de que a mensagem inicial (se ela foi projetada para isso) é percebida pelo usuário (visto que no processo de interação nem sempre o usuário consegue fazer a leitura dos significados).

Exemplos de questionamentos: Na prateleira, o produto se destaca com relação aos concorrentes? E se ocorre o destaque, quais os aspectos que o diferenciam dos demais? Após o reconhecimento visual, qual a reação do usuário antes de usufruir do produto, antes de tocá-lo? Nessa etapa, os conceitos formulados pelo usuário com relação ao produto são positivos ou negativos?

1-Integração

Exemplos de questionamentos: Após o primeiro contato (neste caso o reconhecimento), já quando o usuário faz uso de sentidos não utilizados no estágio anterior (tato, olfato, audição, paladar ou visão), quais as expectativas do usuário com relação à forma, ou à aparência do produto? A expectativa inicial (formulada no primeiro estágio de interação) é modificada? Ocorrendo modificação, ela foi positiva ou negativa?

Se o usuário crê no produto (no 1° contato) e as expectativas mudam (negativamente) ao ampliar a integração (2° contato), neste caso nota-se que a forma vende, mas possivelmente não irá suprir determinadas necessidades do usuário (afeto, funcionais, etc.). E por que a expectativa poderia modificar-se? Porque, como citou Baudrillard, “…atrás de cada objeto real existe um objeto sonhado”.

A preocupação do designer pode ir além do fator comercial, sabemos inclusive que fatores como o estudo das relações de afetividade podem potencializar a possibilidade de comercialização.

A expectativa parte do imaginário desenvolvido nas interações passadas e é modificada na primeira interação com o produto em questão. E na segunda, e na terceira, e assim por diante. O que se transforma é a própria modificação.

Um dos fatores essenciais que serve como guia (quando houver a possibilidade de aplicação) é a visualização direta (seja por contato visual, gravação de vídeo, etc.) dos aspectos comportamentais dos usuários (gestos, expressão facial, etc.) com relação à interação com o produto, sendo o comportamento a expressão aparente guiada pela resposta à impressão anterior.

0-Expansão

Existem fatores vistos como vantagens e desvantagens na realização de estudos preliminares e posteriores da forma, orientados principalmente por aspectos já citados, como questões espaço/temporais e psicológicas. Um exemplo de vantagem está na existência de uma maior aproximação entre projetista, projeto e usuário, o que engrandece qualitativamente a matéria base do projeto. Um fator negativo pode partir da ampliação de custos que um teste com o usuário poderia acarretar ao projeto, visto que nem sempre é possível captar recursos suficientes para o desenvolvimento ideal.

A análise da forma pode ser atribuída a um início, meio ou fim. Porém, em um sistema adaptável aos diversos aspectos de espaço/tempo em que se situam os atores, o projeto de design não deve ser pensado como finito, como uma rua sem saída. O que alguns consideram o fim pode também ser interpretado como o início.

Com ações de análise da forma possibilita-se a geração de alternativas e oportunidades para o período pós-projetual do desenvolvimento. Não só áreas como marketing e publicidade podem fazer uso dos estudos para aprimorar seus processos, mas também aquele senhor barbudo que vende livros em sua banca no centro. Como? Pergunte-se.

Algumas sugestões de leitura:

DE MORAES, Dijon. Metaprojeto: o design do design. São Paulo: Blucher, 2010.

VASSÃO, Caio Adorno. Arquitetura livre: complexidade, metadesign e ciência nômade. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16134/tde-17032010-140902/pt-br.php

Leia mais: http://www.designsimples.com.br/ por Leonardo Barreiro

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