07 abril 2011

Navalha de Occam no design

 

Princípios lógicos podem ser aplicados a várias profissões das ciências de comunicação, e no design não poderia ser diferente. Entenda o que é a Navalha de Occam e como ela pode ser aplicada ao design para melhorar nossos produtos e serviços.

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Mas afinal de contas, o que é a Navalha de Occam?

A expressão latina Lex Pasimoniae (Lei da Parcimônia) é usada para expressar o princípio de Occam. Em latim, diz-se: “entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem“. Traduzindo, “as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade“.

Existem discussões quanto ao significado do princípio de Occam, mas a popularmente aceita é que “a maneira mais fácil de fazer algo é geralmente a melhor maneira de fazê-la“. Ou seja,quanto mais simples, melhor.

Como que a Navalha de Occam pode ser aplicada ao design?

Essa pergunta é simples de responder: através da simplicidade.

Um dos melhores exemplos de simplicidade atualmente é o Twitter. Tudo nele é simples: o cadastro, o acesso e o objetivo. Não dá pra subir imagens ou vídeos, não dá pra ter configurações complexas do seu perfil, não dá pra se juntar a comunidades, etc.

Simplicidade.

A simplicidade do Twitter chega a ser assustadora – é por isto que muitos usuários (especialmente os que estão vindo do Facebook ou Orkut) sentem um vazio na nova rede social e abandonam-a em poucos dias.

Além disto, a Navalha de Occam tem sido usado bastante na web mesmo que inconscientemente. Designers de renome sempre defendem o “Princípio KISS” (em português, erroneamente traduzido como “Princípio do beijo“); “Keep It Simple, Stupid” – “Mantenha-o simples, bobão“, que é apenas uma versão adaptada do de Occam. Steve Krug escreveu um livro inteiro sobre isto; “Não Me Faça Pensar” é uma leitura obrigatória a qualquer um que trabalhe com design, especificamente web design.

Navalha de Occam versus Minimalismo

Existe uma grande diferença entre a aplicação de Occam ao design e o minimalismo. Se algo é simples, não quer dizer que ele precisa ser minimalista. Como exemplo, cito novamente o Twitter. A interface dele é longe de ser minimalista, mas não deixa de ser simples.

Outro exemplo é o site do WordPress. Ele é simples e intuitivo. A maioria das pessoas que acessam o site deles querem fazer logo o download do WordPress, logo o web designer decidiu destacar onde fazer o download.

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Difícil não saber como fazer o download.

Design gráfico simples

O que realmente importa na peça? É o nome da empresa? É o produto? É o nome do evento? É a data, valor ou local dele?

Além de saber o conteúdo da peça que você está criando, você também precisa levar em conta o que é que você está criando. É um outdoor? Então a mensagem tem que ser direta – algo que você consegue ler e compreender em até 8 segundos. É um flyer? Precisa ter as informações importantes – nada de “história da empresa”.

Simplificar pode parecer uma tarefa difícil, ainda mais quando é necessário colocar muitas informações em um lugar só. Para isto, basta dividir. Anote tudo em um papel e decida se você pode rearranjar as informações.

Um folder institucional, por exemplo, não precisa ter os dados completos de todos da equipe na área principal. Você pode optar por escrever isto no final do folder, ou (até melhor) deixar para colocar no site. Pense: o que você precisa que o cliente faça? Agora elimine tudo aquilo que fica entre seu cliente e o objetivo final.

Veja o exemplo do cartaz abaixo. Ele poderia estar escrito: “O evento é as 20:00 do dia 20 de Junho de 2011. O valor de entrada para este evento é de $5.00″. No entanto, o designer colocou apenas os dados “8:00 pm” (aceito como horário de início), “20 Junho” (que só pode ser a data do evento” e “$ 5.00″ que é o valor da entrada. Simples.

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Um cartaz simples e objetivo.

Web design simples

Krug fala bastante sobre “mostrar ao usuário qual o próximo passo que ele deve dar“. Se um usuário já não sabe o que quer, dê algo pra ele fazer. Se a navegação for muito complexa ou se a imagem de fundo distrair o leitor, simplifique.

“Na arquitetura, um design bacana não deve comprometer a força da estrutura ou dificultar o acesso do ponto A ao ponto B. No web design não deveria ser diferente: um layout bem bolado não deve comprometer a mensagem que você quer repassar ou fazer com que o usuário se perca ao ir da página A a página B do seu site”, escreve McConnell.

Se o seu site tem objetivos específicos (como fazer com que o usuário contrate algum plano), deve-se antecipar e eliminar os obstáculos durante a fase inicial do design. Não é incomum de ver designers criarem algo legal sem antes descobrir se o que ele fez ajuda ou atrapalha ao objetivo inicial daquele site.

Onde mais posso aplicar a Navalha de Occam?

Em qualquer lugar. Qualquer mesmo. Nem precisa ser exclusivamente no design. Mas já que esse é um blog sobre isto, algumas dicas:

o Código limpo; mesmo se só você for trabalhar naquele site, é muito mais fácil você simplificar o seu código e deixar ele organizado do que passar horas tentando descobrir o que você tinha feito anteriormente.

o Menu de fácil acesso; não invente moda de fazer o menu aparecer apenas uma vez a cada 20 segundos na tela. Menu no topo ou na lateral – é onde qualquer pessoa vai procurar.

o Foque no que realmente importa; se o objetivo é fazer alguém se cadastrar no seu site, não faça um formulário quilométrico pedindo informações absurdas.

o Simplifique

E um último conselho: Uma mensagem simples será entendida melhor do que uma complicada.

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